quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Catecismo da Igreja Católica (uma síntese)





Profissão de Fé, A Celebração do Mistério Cristão, A vida em Cristo e a Oração Cristã.

  

            Presente a inegável importância do Catecismo da Igreja Católica para todos os fiéis, sobretudo por ser norma segura para a transmissão da doutrina da Igreja Católica, buscaremos desenvolver, neste trabalho, uma análise objetiva e destacar as principais idéias acerca dos temas relacionados às quatro partes em que se divide o mencionado documento, a saber: à profissão de fé, celebração do mistério cristão, a vida em cristo e a oração cristã.
            A elaboração do Catecismo da Igreja Católica foi concluída com a aprovação pontifícia em 25 de junho de 1992 e foi promulgado pela constituição apostólica Fidei Depositum, de João Paulo II, datada de 11.10.1992. Para uma visão geral da forma com que o Catecismo está estruturado vale assinalar que cada uma de suas partes está articulada em duas seções: a primeira apresenta os fundamentos do tema; na segunda, cada um dos temas é abordado separadamente. Assim, a primeira seção de cada parte trata dos conteúdos teológicos fundamentais da Doutrina (Parte I), os fundamentos da Liturgia (Parte II), os fundamentos da Moral (Parte III) e a doutrina geral sobre a Oração (Parte IV). A segunda seção trata respectivamente dos doze artigos da fé, dos sete sacramentos, dos dez mandamentos e dos sete pedidos do Pai-nosso.
A profissão de fé
            Na primeira parte do Catecismo temos que o ponto principal reside claramente nas ações de Deus, que o credo confessa fielmente.  Em primeiro lugar vem o ser, só depois o agir. Vem em primeiro lugar o que Deus fez: só depois se pode falar sobre o que o homem deve e pode fazer para responder a isso. O imperativo moral resulta do indicativo da ação de Deus.
            O ponto de partida do Catecismo é algo comum a todos os homens: a sua “capacidade de Deus”, a sua dimensão religiosa. Para tanto, segue a profissão de fé apostólica, o Símbolo Apostólico, antiga profissão de fé batismal da Igreja de Roma[1] mas sempre faz referência ao chamado Símbolo Niceno-Constantinopolitano[2].
            Para isso adota-se, seguindo o credo, uma estrutura trinitária da profissão de fé e também sua subdivisão tradicional em 12 artigos[3]: Não em vão é reconhecida a doutrina da Trindade Santa como o “ensinamento mais fundamental e essencial da hierarquia das verdades da fé” [4].
            O Catecismo centra-se na Trindade porque é cristrocêntrico: “O que se ensina na catequese é Cristo (...); o único que ensina é Cristo” [5]. Ele é o grande sacramento no qual Deus mesmo nos é manifestado[6]; a liturgia é a obra de Cristo glorioso que continua a agir na sua Igreja, por meio de seu Santo Espírito[7], para a cura e a salvação do homem[8]; assim é que se torna possível a vida em Cristo, isto é, seu seguimento verdadeiro[9], e que a oração, enquanto comunhão com Cristo tenha as mesmas dimensões que seu amor [10].
            Convém sublinhar alguns temas particulares da primeira parte: “a importância capital” [11] da catequese sobre a criação, que é apresentada como “fundamento de todos os desígnios salvíficos de Deus” [12] e, portanto, como “obra da Santíssima Trindade” [13]; a apresentação da ressurreição como “a verdade culminante de nossa fé em Cristo” [14]. Porém não como ponto de chegada de uma cristologia meramente de cima, mas como supremo e sem par ponto de conexão da história humana com o Deus transcendente; a explicação da realidade da Igreja em conexão íntima com os artigos sobre Cristo e sobre o Espírito Santo “para não confundir Deus com suas obras” [15] e para entender bem em que sentido não há salvação fora dela[16]·.
            No “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra” [17] temos que se explica que a fé em um só Deus inclui a fé na Trindade. “Crer em Deus, o Único, e amá-lo com todo o seu ser, tem consequências imensas para toda a nossa vida” [18]. A fé na Santíssima Trindade não está em contradição com a fé em um só Deus, mas é sua plena revelação: “A fé de todos os cristãos consiste na Trindade” [19]. O conceito sempre recorrente de “economia” ou “economia da Fé” refere-se a todas as obras de Deus, que são sempre obras comuns às três pessoas divinas[20].
            A primeira obra de Deus é a criação, e a ela é atribuída uma importância especial no Catecismo, sendo efetuada uma introdução geral sobre o significado da catequese sobre a criação[21]. Somente Deus é Criador[22] e a criação é a obra de seu amor e de sua bondade incomensurável, é expressão de sua sabedoria. Por isso, as criaturas são “palavra de Deus, e o homem, a quem é dada a luz da razão, pode perceber a linguagem de Deus em toda a sua criação” [23].
            Ligada, de modo inseparável, à fé na criação está a fé na “providência Divina, providência através da qual deus conduz sua criação à perfeição” [24]. Trata-se de uma solicitude concreta, direta de Deus.[25]. O fato de Deus em sua providência também incluir a atuação própria das causas segundas criadas acaba tendo grandes consequências para a visão da liberdade e da responsabilidade humana[26].
            O tema do mal é uma questão inevitável para todo o homem, e “não há nenhum elemento da mensagem cristã que não seja também uma resposta ao problema do mal” [27]. O testemunho dos santos[28] encoraja-nos a crer que Deus conduz tudo para o bem.
            O Catecismo tenta tirar da mensagem bíblica da obra dos “seis dias” as verdades que continuam válidas independentemente de questões relativas à concepção do mundo[29]. No contexto da criação são mencionados os anjos e o lugar deles na consciência da fé e na vida da liturgia não deve ser desprezado[30].      O parágrafo sobre a criação do homem[31] apresenta, de forma extremamente sucinta, os fundamentos daquela antropologia e podemos observar que a ênfase na unidade e ao mesmo tempo na distinção do corpo e da alma faz parte do cerne da visão cristã do homem.  Faz parte da fé a convicção da unidade essencial de corpo e alma constituindo uma única pessoa humana, e também a doutrina da criação direta do espírito por Deus, e a compreensão da morte como separação de corpo e alma até a ressurreição[32].
            Sobre o pecado original, expõe a doutrina de fé, com forte centralização cristológica do tema: “É preciso conhecer a Cristo como fonte da graça para conhecer Adão como fonte do pecado” [33]. “A doutrina do pecado original é o reverso da Boa Notícia de que Jesus é o Salvador de todos os homens, que todos têm necessidade da salvação” [34]. No âmbito do pecado original, é tratada também a questão dos Demônios que, segundo a fé, Deus os criou bons em sua natureza, mas se tornaram maus por sua própria iniciativa[35].
            Os artigos cristológicos[36] ocupam a maior parte da profissão de fé.  Em locais próprios são reconhecidos os atributos da maternidade divina de Maria[37] e um longo trecho é dedicado aos mistérios da vida de Cristo[38]. Cristo é o grande sacramento de Deus[39]. Também são expostas as particularidades da relação de Jesus com Israel[40] e o Catecismo lembra que foram nossos pecados que crucificaram Cristo: pecados que ele expiou e remiu por sua morte, segundo o desígnio de Deus[41]. No capítulo sobre escatologia e liturgia, o Catecismo faz afirmações importantes sobre o relacionamento entre cristãos e judeus.[42].
            Para a fé cristã é da maior importância a fé na ação redentora de Jesus Cristo e o Catecismo busca enaltecer os fatos a ela relacionados[43], valendo destacar: o cumprimento do desígnio divino da salvação; a morte de Jesus é considerada sob a perspectiva do projeto divino de salvação, que não exclui ninguém; e a morte de Jesus é o sacrifício perfeito da Nova Aliança. “A Ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo” [44].
            O Catecismo trata detalhadamente dos símbolos e alegorias do Espírito Santo[45] e, além disso, enfatiza a unidade que existe entre o envio do Filho e do Espírito Santo[46]. Faz-se referência expressa à atuação oculta do Espírito Santo no Antigo testamento.
            Sobre a Igreja, o Catecismo apresenta as denominações e alegorias da Igreja, vindo depois sua realização progressiva na história: ela tem suas raízes no desígnio eterno de Deus; de certo modo, tem na obra da criação seu primeiro esboço e projeto; é preparada na Antiga Aliança; é estabelecida por Cristo e manifestada pelo Espírito. Somente no final dos tempos ela terá consumação[47]. Sua essência e seu mistério tornam-se visíveis a partir de sua origem: a Igreja é ao mesmo tempo visível e espiritual, celeste e terrestre, divina e humana; é sacramento da união íntima dos homens com Deus e dos homens entre si.
            A Igreja é apresentada em seu mistério trinitário: como Povo de Deus, como Corpo de Cristo e como Templo do espírito Santo[48]. Todavia, a unidade nupcial da Igreja com Cristo acaba sendo o centro mais íntimo de seu mistério. As quatro características da Igreja são tematizadas expressamente: ela é uma Igreja uma, santa, católica e apostólica[49]·. A apostolicidade continua a ser explicitada no tratado sobre as três ordens dos fiéis de Cristo: hierarquia, leigos e religiosos.[50] Mostra que a dimensão essencial da Igreja vai muito além da forma visível como peregrina sobre a Terra. Há uma ligação entre a Igreja Celeste com a Igreja Terrestre. Com Maria e todos os santos, a Igreja da terra e dos céus constitui a única família de Deus.[51].
            No seu final expõe a doutrina sobre a ressurreição dos mortos, na qual a ressurreição de Cristo atinge a plenitude.[52]·. Terminamos com as palavras de Santo Agostinho: “O Símbolo seja para ti como um espelho. Olha-te nele para ver se realmente crês tudo o que declaras crer, e alegra-te cada dia com tia fé”[53]
Os Sacramentos
A segunda parte aparece muito estreitamente ligada à primeira, pois nela apresenta-se a liturgia da Igreja como a obra atual do Deus trino enquanto encaminha à salvação e santificação cada um dos seres humanos. As duas primeiras partes do Catecismo manifestam, em conjunto, algo de importância fundamental, que deveria ficar claro na catequese: é Deus que sai ao encontro da humanidade em sua Palavra e nos sacramentos.  A vida de moral e a vida de oração serão resposta à iniciativa divina.
Além do caráter trinitário, e em particular pneumatológico, do tratamento dado aos sacramentos, convém sublinhar sua ótica mistagógica e sua sensibilidade para o rito oriental. O sentido dos sacramentos é exposto a partir de seus elementos celebrativos, que aparecem como caminho introdutório ao mistério da salvação e santificação que celebram. A atenção aos ritos orientais ajuda a compreender melhor o mesmo mistério. Por outro lado, a classificação empregada (sacramentos de iniciação, de cura e da comunidade) é fundamentalmente pedagógica e não deverá fazer perder de vista que “todos os sacramentos estão unidos à eucaristia e a ela se ordenam” [54].
A segunda parte do Catecismo divide-se, como na construção de todas as quatro partes, em duas seções. A primeira, de caráter mais geral, aborda a economia da salvação sacramental, numa espécie de liturgia fundamental; a segunda trata da celebração dos sete sacramentos e dos sacramentais.
A grande perspectiva, na qual os sacramentos da Igreja continuam hoje as obras realizadas por Jesus Cristo durante sua vida terrestre[55]. Os sacramentos são como que essa força que sai do Corpo de Cristo, para curar as feridas do pecado e para nos dar vida nova em Cristo[56].
Quanto à hierarquia de verdades, os sacramentos são interpretados trinitária e cristocentricamente. Ambas as perspectivas completam-se. Assim sendo, no primeiro artigo a Liturgia é apresentada como obra da Trindade: O Pai é a origem e o fim da Liturgia[57]. No artigo sobre Eucaristia isso é mais concretizado: A Eucaristia é “ação de graças e louvor ao Pai” [58]. A liturgia é a obra de Cristo glorificado, que continua a atuar na Igreja[59], fazendo memória de seu mistério através do Espírito Santo na Igreja, atualizando-o e tornando-o atuante[60]. Neste capítulo fundamental são apresentados também os conceitos litúrgicos mais importantes como a anamnese (“memória”) [61], epíclese (“a invocação ao Espírito Santo”.) [62], Palavra de Deus[63].
O segundo artigo oferece uma breve sistemática dos sacramentos, através dos quais Cristo atualiza seu mistério e o torna eficaz. Os elementos mais importantes de uma doutrina sacramental geral estão apresentados[64].
As exposições que o artigo 3 apresenta são importantes do ponto de vista catequético (“Celebrar a liturgia da Igreja”, porque oferecem uma espécie de catequese da celebração litúrgica:
a)    Quem celebra? A relação da liturgia celeste com a liturgia terrestre é apresentada dentro da linha do Concílio[65]
b)    Como celebrar a liturgia? Os sinais e símbolos mais importantes da liturgia são analisados em seu significado antropológico, veterotestamentário, cristológico e litúrgico[66]. Palavras e ações, canto, música e imagens sagradas fazem parte da totalidade da liturgia[67].
c)    Quando celebrar a liturgia? O tempo litúrgico é apresentado em seus desdobramentos na Liturgia das Horas, no dia do Senhor e no ano litúrgico[68].
d)    Onde celebrar a liturgia? Fala-se sobre o local da celebração da liturgia, sobre a casa de Deus e sua simbologia[69]. Essas considerações completam-se como que se diz sobre a arte sacra na Parte III[70].
O artigo 4 do Capítulo II fala da diversidade das liturgias na unidade da Igreja celebrante. A questão de aculturação coloca-se no campo da Liturgia com especial urgência (Liturgia e Culturas) [71].
A apresentação dos sete sacramentos na Seção II faz-se através de um esquema catequético que pode, é claro, ter uma divisão diferente: os três sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia), os sacramentos de cura (Penitência e Unção dos Enfermos) e os sacramentos do serviço da comunhão (Ordem e Matrimônio).
Os sacramentos são apresentados de acordo com um esquema comum, e o ponto de partida é, na maioria das vezes, a explicação do nome com o qual o sacramento é designado[72]. A instituição dos sacramentos por Cristo[73] não é considerada isoladamente cada sacramento é situado no todo da história da salvação. Com seus prenúncios no Antigo Testamento, com sua fundamentação na vida de Cristo e seu desdobramento no tempo da Igreja[74].
A doutrina sobre cada sacramento não é apresentada de forma abstrata, mas a partir da Mistagogia da celebração litúrgica[75], pois os ritos do sacramento é o local próprio da catequese sacramental. Essa Mistagogia litúrgica é complementada por referências ao receptor, aos ministros e aos efeitos salvíficos do sacramento [76].
De caso pensado, procura-se apresentar não somente a tradição litúrgica latina, mas incluir também a práxis sacramental da Igreja Oriental. Assim são apresentados os sete sacramentos:
a)    Batismo: quanto a seus efeitos, merece referência especial o trecho sobre o batismo de crianças[77], sobre as crianças falecidas sem batismo[78], bem como sobre o mútuo relacionamento entre a remissão dos pecados (em primeiro lugar do pecado original) e o dom da graça[79].
b)    Confirmação: é devidamente apresentada a diferença de tradições entre Oriente e o Ocidente[80]. Com relação à idade exigida para o sacramento, faz-se referência ao pensamento de Santo Tomás de Aquino: “maturidade” não é uma questão de idade biológica[81].
c)    Eucaristia: para expor os aspectos litúrgicos da Eucaristia usando uma raiz comum a todas as famílias litúrgicas, o Catecismo parte da apresentação feita por S. Justino. A Mistagogia contém o que é comum a todas as famílias litúrgicas[82]. O caráter sacrifical da Eucaristia é claramente enfatizado, já que atualmente muitas vezes há falhas nesse ponto[83]. A doutrina sobre a real presença do Senhor na Eucaristia confirma-se com o apreço dado à adoração eucarística[84]. “Os frutos da eucaristia” são tratados de forma pormenorizada[85]. A questão da intercomunhão tem seu lugar especial[86]. O que de uma forma geral se pode dizer sobre os sacramentos[87] vale de forma particular para a Eucaristia: ela é o “penhor da glória futura” [88].
d)    Penitência e Reconciliação: nesse sacramento também é enfatizada a dimensão escatológica: ele é a antecipação do juízo[89]. O caráter salvífico do Sacramento da Reconciliação é fortemente acentuado[90]. O texto sobre as indulgências complementa a doutrina sobre a comunhão dos santos[91].
e)    Unção dos Enfermos: nesse sacramento o aspecto salvação é particularmente enfatizado[92]; e não faltam referências à associação aos sofrimentos de Cristo[93], ao significado do sofrimento para a santificação da Igreja[94] e à preparação para a morte, última passagem do cristão[95].
f)     Ordem: o sacramento da Ordem é aqui considerado em continuação ao que se expôs sobre eclesiologia[96], como forma especial da participação no único sacerdócio de Cristo. O sacerdócio ministerial é colocado a serviço do sacerdócio geral de todos os batizados[97]; o sacerdote, por este sacramento, age “na pessoa de Cristo-Cabeça” [98]. A exposição sobre os três graus da ordem segue amplamente os textos do Concílio Vaticano II. Faz-se referência aos textos litúrgicos que devem explicitar a graça desse sacramento[99].
g)    Matrimônio: primeiramente, chama-se a atenção para que é o “casamento no plano de Deus”: uma comunhão íntima de vida e de amor, que se destina ao bem do casal, à procriação e à educação de filhos. Ameaçada pela força do pecado, essa comunhão é restaurada por Cristo em sentido original[100]. O lugar do casamento na história da salvação é complementado através do significado da virgindade por causa do Reino dos Céus[101], já que ambos provêm do Senhor, que lhes dá pleno sentido[102]. Se a exigência do Senhor acerca do casamento parecer alta demais, ou até mesmo inatingível, mais importante será então a referência à graça que vem por Cristo[103]. Cita-se também o grande número de pessoas celibatárias, sobre cuja situação raramente se reflete[104].
Como uma coroa, os Sacramentais (as bênçãos, por exemplo) circundam os sete sinais dos sacramentos[105]. Eles são um lugar privilegiado da devoção popular. O CIC cita o Documento de Puebla, que acentua seu grande significado [106].
A segunda parte termina com a exposição sobre o funeral cristão, visto totalmente à luz do mistério pascal. Um belo texto de S. Simeão de Tessalônica, oriundo da tradição bizantina, que conclui este trecho e consequentemente a Parte II, faz referência ao objetivo último de toda a vida sacramental: “Estaremos todos reunidos em Cristo”[107]. Viver por e com Cristo é também a meta e o caminho da vida moral dos cristãos, como veremos na parte a seguir.
A vida em Cristo (O agir Cristão)
            O que foi tratado na primeira e segunda parte serve de ponte para a parte terceira (moral), que encontra seu ponto de partida no anseio do homem pela felicidade[108].
            A terceira parte articula as diversas questões concretas da vida moral no quadro tradicional do decálogo. Porém, o decálogo, por sua parte, não é apresentado como o quadro último da vida moral cristã. Isso teria dado lugar a uma moral do preceito e da obrigação. O quadro é dado, antes, pela lei nova, isto é pela lei interior da graça, do amor, da liberdade e do Espírito Santo[109]. Por isso, antes dos mandamentos fala-se, na primeira seção, do desejo de felicidade e da bem-aventurança cristã, da liberdade, da paixão natural e das virtudes que a orientam ao amor. Vale dizer que o quadro mais abarcante da moral cristã é a “pertença a Deus instituída pela aliança” [110] ou o seguimento de Jesus Cristo[111]. O decálogo, portanto, é interpretado à luz do “duplo e único mandamento da caridade” [112].
            Porém a moral Cristã não é só para os cristãos, não é moral de gueto; seu fundamento não se acha nas disposições mais ou menos sábias de um profeta inspirado a quem seguem os seus. O Espírito Santo, na verdade, conduz os seguidores de Jesus Cristo à verdade do próprio ser humano na qual estão radicadas as pautas do fazer verdadeiramente humano, que não permanecem nunca totalmente ignoradas por nenhum ser racional. A moral cristã é, por isso, tão específica como universal. Porque a lei nova assume e aperfeiçoa a lei natural. O Catecismo da Igreja Católica sai ao encontro da possível confusão entre lei moral natural e lei da natureza: aquela “chama-se natural não por referência à natureza dos seres irracionais, mas porque a razão que a proclama pertence propriamente à natureza humana” [113].
            Quanto aos conteúdos concretos da moral, o Catecismo não faz senão referir sinteticamente à doutrina da Igreja. A respeito da questão da pena de morte, que resultou tão controvertida.
            A terceira parte inicia-se com uma introdução cuja leitura é imprescindível. “Cristo, reconhece tua dignidade!” (São Leão Magno, 1691). As duas primeiras partes do Catecismo expõem o ser do cristão. Nesta terceira parte, o tema é a vida condizente com a dignidade do homem e do cristão.
            Novamente levando em conta a hierarquia das verdades, são ressaltados os dois pólos: a vida Cristã é uma vida que vem do Deus Trino[114], e é uma vida que vem em Cristo. Esta terceira parte expõe, em seu prólogo, o critério que deve ser seguido numa catequese da vida em Cristo[115].
Por mais que seja enfatizada a correlação entre a ação moral e a graça, nesta parte começa mencionando a vocação do homem, de sua condição de imagem de Deus[116]. Com isso, o Catecismo retoma o início da Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II Gaudium Spes. O caminho do homem em direção a sua altíssima vocação, a eterna bem-aventurança, está predefinido no fato de ser ele imagem de Deus, e é determinado a partir desse objetivo.
            A estrutura da Moral Fundamental segue a grande intuição da Summa de Santo Tomás de Aquino.  Apresenta-se primeiramente a doutrina sobre o fim último, a felicidade[117] e depois a doutrina sobre os meios que Deus proporciona ao homem para alcançar esse fim: a razão e o livre-arbítrio, através dos quais o homem determina seu caminho, a lei e a graça com as quais Deus o auxilia nesse caminho.
            Chamado à felicidade, o homem pode movimentar-se livre e responsavelmente em direção a esse fim último. A liberdade é o pré-requisito para um comportamento verdadeiramente humano e moral[118]. Em seguida fala-se a respeito do que caracteriza uma ação moral: seu objeto, sua intenção e suas circunstâncias[119]. Notável é a doutrina sobre as paixões, sem as quais faltam os impulsos para a ação moral[120], mas que também, quando não integradas, destroem o senso moral.
            A consciência julga a moralidade das ações. A obrigação de seguir a consciência é tão certa quanto à obrigação de examinar continuamente essa consciência, regulando suas convicções por critérios objetivos de moralidade[121].
            Do comportamento moral nascem disposições para o correto agir moral. Essas disposições para o bem são as virtudes. Elas estruturam o homem e conferem-lhe um caráter verdadeiramente humano[122]. As virtudes naturais necessitam de uma reformulação profunda e total através das disposições que só Deus pode conferir por meio da graça, e que relacionam nosso agir diretamente a Deus: fé, esperança e caridade[123].
            Pecado é o agir falho, que deixa de atingir o devido objetivo do ser humano. Sua realidade só pode ser plenamente percebida à luz da graça. Somente o Evangelho revela toda a verdade do pecado[124]. Porque o pecado é uma violação contra a razão, a verdade e a reta consciência[125] é uma afronta a Deus, que criou o homem para si[126]. A diferença entre o pecado mortal e o pecado venial é determinada pelo critério do amor[127]. Temos depois a exposição sobre a difusão do pecado até as suas consequências sociais, que finalizam o capítulo[128].
A dimensão social, comunitária do homem pertence inseparavelmente à moralidade. Em estreita dependência da Gaudium et Spes e da Doutrina Social da Igreja, trata-se da pessoa e da sociedade, da autoridade e do bem comum, da responsabilidade e da colaboração, da justiça social e da solidariedade[129]. Os desdobramentos concretos encontram-se na Seção II, sobre os Dez Mandamentos, principalmente nos artigos sobre o quarto, quinto e sétimo mandamentos. Assim, os diversos aspectos da Doutrina Social da Igreja são inseridos organicamente no conjunto da moralidade e fica patente a dimensão social e comunitária de toda a ação humana.
            O capítulo sobre a Lei e a Graça encerra a “Moral Fundamental”: “Chamado à Felicidade, mas ferido pelo pecado, o homem tem necessidade da salvação de Deus. O Socorro divino lhe é dado em Cristo na Lei que o dirige e na graça que o sustenta” [130]. A doutrina sobre a “lei moral” apresenta os três níveis da lei: a lei natural, a lei da antiga e a lei da nova aliança. A doutrina sobre a nova lei é, sem dúvida, o cerne da doutrina moral cristã[131]: É “uma lei do amor, da graça, da liberdade” [132].             O artigo da graça inicia-se com a doutrina da justificação, de grande importância do ponto de vista ecumênico. Ela é totalmente orientada por São Paulo, principalmente na Carta aos Romanos. O tema da graça perpassa todo o Catecismo. Aqui, ele é tratado de forma sistemática e sucinta[133]. A difícil, mas insubstituível, doutrina sobre o mérito[134] mostra como, através da graça e da justificação, possibilita-se ao querer e ao agir humano uma verdadeira cooperação com Deus. O parágrafo termina com a palavra de Santa Teresinha do Menino Jesus que, como ninguém, falando de coração, dá uma resposta à crítica dos reformadores contra a doutrina do mérito. Fiel ao Vaticano II, a doutrina da graça e do mérito leva à referência ao chamamento de todos para a santidade[135]: “Santidade” é a perfeita cooperação entre o socorro da graça divina e a liberdade humana. Assim, a “moral fundamental” culmina na consideração dessa realização máxima do homem, criado livre e à imagem de Deus, que consiste na comunhão salvífica e santificante com Deus: a santidade. Seu lugar é a Igreja, o “sacramento” dessa comunhão (2016; 2030).     O artigo sobre a Igreja, enquanto “Mãe e Mestra”, faz a passagem para o Decálogo. Vale a pena examinar esse trecho de forma mais pormenorizada, para inserir o magistério moral da Igreja no conjunto da realidade eclesiástica, principalmente da vida litúrgica[136].
            O prólogo da segunda seção apresenta os Dez Mandamentos segundo a Escritura e a Tradição. Salientam-se o caráter libertador do Decálogo[137], sua presença na pregação de Jesus[138], seu lugar na catequese da Igreja[139]. Não deve haver qualquer dúvida quanto à primazia da misericórdia[140].
            Os Dez Mandamentos são apresentados como desdobramentos do duplo mandamento do amor[141]. Ao tratar de cada mandamento sempre se faz referência primeiramente aos aspectos positivos, às virtudes e às condutas correspondentes. Contra esse pano de fundo, tonam-se patentes as condutas erradas que devem ser apontadas como falhas e pecados.  A relação dos pecados referentes a cada um dos mandamentos pode parecer, à primeira vista, muito severa. É preciso distinguir entre imputabilidade objetiva e imputabilidade subjetiva de uma ação[142]. A ignorância inculpável pode diminuir a responsabilidade de um pecado objetivamente grave, ou até “aboli-la definitivamente” [143]. Também na vida moral vale a “lei do crescimento” [144], do amadurecimento da personalidade e, consequentemente, da responsabilidade. Tal amadurecimento exige a ajuda da sociedade, formação e educação adequada[145] e a ajuda da graça[146].
            O artigo sobre o primeiro mandamento trata das “virtudes teologais” [147], antes de tratar das formas errôneas de atitude religiosa (superstição, idolatria, magia, ateísmo, agnosticismo). Dá-se importância especial à obrigação de a sociedade cultuar a Deus e ao direito à liberdade religiosa[148]. A santificação do nome de Deus e a santificação do Dia do Senhor são ressaltadas nos artigos sobre o segundo e o terceiro mandamento.  No artigo sobre o quarto mandamento, fala-se da família no plano de Deus. O quarto mandamento abrange, num sentido mais amplo, a relação com as diversas formas de autoridade, até mesmo a relação entre Estado e Igreja[149]. Positivamente, trata-se de uma postura de respeito que devemos primeiramente a nossos pais[150], mas também às autoridades[151]. Nesse sentido, faz-se referência, por exemplo, ao direito (e às vezes dever) que o cidadão tem de apresentar suas justas reclamações contra o que lhe parece prejudicial à dignidade das pessoas e ao bem da comunidade[152], e ao dever que as nações mais desenvolvidas têm de acolher os estrangeiros “na medida do possível” [153]. Fala-se também dos deveres dos pais[154] e das autoridades públicas[155]. O artigo sobre o quinto mandamento discorre sobre o respeito pela vida humana. Respeito que pode significar também a proteção da vida mediante as diversas formas de legítima defesa[156]. Todas as formas de homicídio são proscritas pelo quinto mandamento[157]. O respeito à dignidade humana exige respeito tanto pela alma como pelo corpo[158]. O esforço pela paz, enquanto condição para o bem comum[159] faz parte do quinto mandamento[160]. No sexto mandamento, aponta-se primeiramente o chamamento de todos à castidade enquanto bem-sucedida integração da sexualidade na pessoa[161]. Por isso as faltas contra o sexto mandamento são tratadas como ofensas à castidade[162]. O sexto mandamento significa positivamente um sim ao amor e à fidelidade conjugal[163], e condena tudo o que ofende a dignidade do matrimônio[164]. O sétimo mandamento fundamenta-se na virtude da justiça[165] e diz respeito ao trato correto dos bens terrenos. Fala-se do roubo[166], mas também da preservação da criação, do trato com os animais[167], da justiça econômica e social, da solidariedade entre as nações e do amor concreto pelos pobres[168]. O oitavo mandamento exige a virtude da veracidade[169]. Requer o testemunho em favor da verdade e do Evangelho[170]. Merecem atenção as referências a uma ética das comunicações[171] e aos temas da verdade, da beleza e da arte sacra[172]. A exposição sobre o nono e décimo mandamentos estabelece uma ponte dos Dez Mandamentos e as Bem-aventuranças: pureza e pobreza de coração mostram-se como as duas atitudes positivas que correspondem a esses mandamentos[173].
            A terceira parte termina como iniciou: como uma referência à meta última da vida humana: a eterna felicidade. Por esse caminho da perfeição, o Espírito e a Esposa chamam aquele que os ouve à comunhão perfeita com Deus [174].
Oração na Vida Cristã
            A parte IV é proposta como introdução prática à vida de oração, sem perder de vista o enfoque doutrinal adequado que há de supor. Porque o mistério da fé exige que os cristãos creiam, celebrem e vivam relação vivente e pessoal com Deus vivo e verdadeiro. Esta relação é a oração [175]. Tal objetivo alcança-se, antes de tudo, mediante a introdução na revelação trinitária da oração, porém também recorrendo à experiência orante dos santos e da tradição espiritual, tanto do Oriente como do Ocidente. O pai-nosso é meditato como “resumo de todo o evangelho” [176]. E a oração a Maria é apresentada, em perspectiva profundamente ecumênica, como comunhão[177] com aquela que é pura transparência de Cristo, a que “nos mostra o caminho” [178].
            A Seção I da parte IV trata da oração em geral, iniciando-se com uma espécie de definição da oração[179]. A oração é primeiramente dom de Deus. “Deus tem sede que tenhamos sede dele” [180]. O dom da oração corresponde ao anseio do homem. Orar é um ato humano; é a expressão daquela procura por Deus que o Criador colocou no coração do homem e da qual presta testemunho a busca de todas as religiões[181].
            “A revelação da oração” começa com a criação do homem por Deus. O homem é ser orante desde sua origem[182]. A oração incita o homem a se aprofundar cada vez mais em sua fidelidade a Deus. Abraão, Moisés, Davi, os profetas são etapas desse crescimento[183]. Os salmos constituem a forma sublime da oração no Antigo Testamento[184] constitui o centro misterioso de atração para a oração da Igreja[185]. Jesus ensina a orar, na medida em que ele próprio ora[186]. Enquanto verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, ele não somente ensina a orar, mas também acolhe a oração, investido de plenos poderes[187], A oração da Igreja desabrocha sob a ação do Espírito Santo[188] como bênção e adoração[189], como súplica e intercessão[190], como ação de graças e louvor[191]. A “Eucaristia contém e exprime todas as formas de oração” [192].
            Um capítulo especial é dedicado à tradição, à transmissão viva, e consequentemente ao aprendizado da oração[193]. Essas “fontes da oração” são a Palavra de Deus, sobretudo as três “virtudes teologais”: fé, esperança e caridade. O amor é a fonte mais profunda da oração[194]. O amor sabe viver no “hoje” de Deus[195]. Para aprender a oração precisamos não apenas de mestres da oração, mas também de um ambiente favorável[196].
            Fiel à visão trinitária do Catecismo, o “caminho da oração” é apresentado como oração no e ao Espírito Santo, em e a Jesus, o caminho para o Pai[197].  A oração em comunhão com Maria tem um lugar de destaque na oração da Igreja[198]. Não poderia faltar no Catecismo um breve comentário sobre a Ave-Maria[199].
            Tem um significado todo especial a exposição sobre as três formas de expressão da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a oração mental, sendo que esta última pode também ser chamada de oração mística ou contemplativa[200], O trecho sobre a oração mental parte da conhecida definição de Santa Teresa D´Ávila, segundo a qual “a oração mental é apenas um comércio íntimo de amizade em que conversamos muitas vezes a sós com esse Deus por quem nos sabemos amados” [201]. A leitura reflexiva desse trecho é um convite para se procurar, com o auxílio do próprio Deus, o caminho da oração interior.
            Há um trecho especial dedicado ao combate da oração. Quem ora, conhece essa batalha: com a dispersão, a aridez, o tédio, a falta de confiança, a luta pela perseverança e pela fidelidade; sabe também como é imprescindível pedir a graça da perseverança final[202].
            A Seção II é um comentário sobre o Pai-nosso, a Oração do Senhor, em grande parte baseado na riqueza dos comentários feitos pelos Padres da Igreja. Nisso podemos ver mais uma vez, de forma bastante clara, que o Catecismo também é um livro para a meditação.
            Diz o Catecismo que o Pai Nosso é a oração da Igreja e que este dom indissociável das palavras do Senhor e do Espírito Santo que lhes dá vida no coração dos crentes, a Igreja o recebeu e viveu desde as origens.  Os três primeiros pedidos têm por objeto a Glória do Pai: a santificação do Nome, a vinda do Reino e o cumprimento da Vontade divina. Os quatro seguintes apresentam-lhe nossos desejos: esses pedidos concernem à nossa vida, para nutri-la ou para curá-la do pecado, e se relacionam com nosso combate visando à vitória do Bem sobre o Mal[203]. Pelo “Amém” exprimimos nosso “Fiat” em relação aos sete pedidos: “Que assim seja” [204]

            A elaboração deste trabalho permitiu-me antever que a aplicação do Catecismo da Igreja Católica é muito útil na questão da transmissão, dos métodos e da tradução, mas nada se compara a sua função mais nobre que é oferecer uma catequese para os catequistas, revelando-se um livro de fé fundamental para os transmissores da fé e uma valiosa ajuda para todos aqueles que querem conhecer melhor sua fé.
            Para concluir este trabalho vale destacar a declaração de Bento XVI sobre a singeleza e importância do Catecismo para a fé católica: “foi apresentada a um bispo já idoso, muito respeitado por sua erudição, uma das últimas redações do Catecismo antes da publicação, para que fosse por ele avaliada. Ele devolveu o manuscrito com uma expressão de alegria. Sim, disse ele, nisso é que minha mãe acreditava. Estava feliz porque a fé, que ele aprendera quando criança e que o conduzira ao longo de sua vida, estava ali expressa em palavras, em toda a sua riqueza e beleza, mas também em toda a sua simplicidade e indestrutível identidade. Essa é a fé de minha mãe: a fé de nossa mãe, da Igreja. Para esta fé é que o Catecismo nos convida”.
                                                       Referências
A BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. 6ª. Reimpressão. São Paulo: Paulus, 2010.
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA: Edição Típica Vaticana. São Paulo: Loyola, 2000.
HASTENTEUFEL, Dom Zeno. O Catecismo ao Alcance de Todos: Uma síntese do catecismo da Igreja Católica. Brasília, Edições CNBB, 2013.
NAVARRO, V. M. DICIONÁRIO DE CATEQUÉTICA. São Paulo: Paulus, 2004.
RATZINGER, Joseph – Breve Introdução ao Catecismo da Igreja Católica. 1 Ed. Aparecida, SP: Santuário, 1997.
SANTA SÉ. Symbolum – Percursos e aprofundamentos sobre o Catecismo da Igreja Católica. Brasília: Edições CNBB, 2014.



[1] CIC 194
[2] CIC 195
[3] CIC 191
[4] CIC 234
[5] CIC 427
[6] CIC 515
[7] CIC 1084-1109
[8] CIC 1116
[9] CIC 1694-1698
[10] CIC 2565
[11] CIC 282
[12] CIC 280
[13] CIC 290
[14] CIC 638
[15] CIC 750
[16] CIC 846
[17] CIC 199-421
[18] CIC 222
[19] CIC 232
[20] CIC 236, 258
[21] CIC 282-289
[22] CIC 290-292.
[23] CIC 299
[24] CIC 302
[25] CIC 303; 305
[26] CIC 307
[27] CIC 309
[28] CIC 313
[29] CIC 337-349
[30] CIC 328-336
[31] CIC 355-379
[32] CIC 362-368
[33] CIC 388
[34] CIC 389
[35] CIC 391
[36] CIC 422-682
[37] CIC 487-507
[38] CIC 512-570
[39] CIC 515
[40] CIC 574-591
[41] CIC 599-618
[42] CIC 673-674; 1096
[43] CIC 595-617
[44] CIC 638
[45] CIC 694-701
[46] CIC 689-690
[47] CIC 751-776
[48] CIC 781-801
[49] CIC 817-865
[50] CIC 871 e 933.
[51] CIC 946-959
[52] CIC 988-1060
[53] CIC 1064
[54] CIC 1324
[55] CIC 1115
[56] CIC 1116
[57] CIC 1077-1083
[58] CIC 1359-1361
[59] CIC 1084-1090
[60] CIC 1091-1109
[61] CIC 1103
[62] CIC 1105-1107
[63] CIC 1100-1102
[64] CIC  1113
[65] CIC 1136-1144
[66] CIC 1145-1152
[67] CIC 1153-1162
[68] CIC 1163-1178
[69] CIC 1179-1186
[70] CIC 2500-2502
[71] CIC 1204-1206
[72] CIC 1214-1216
[73] CIC 1113-1116; 1210
[74] CIC 1286-1292
[75] CIC 1234-1245
[76] CIC 1246-1274
[77] CIC 1250-1252
[78] CIC 1261
[79] CIC 1262-1266
[80] CIC 1290-1292
[81] CIC 1308
[82] CIC 1245-1355
[83] CIC 1362-1372
[84] CIC 1380
[85] CIC 1391-1397
[86] CIC 1398-1401
[87] CIC 1130
[88] CIC 1402-1405
[89] CIC 1458; 1470
[90] CIC 1432, 1439, 1456, 1465
[91] CIC 1474-1477
[92] CIC 1506-1510; 1512
[93] CIC 1521
[94] CIC 1522
[95] CIC 1523-1525
[96] CIC 874-899
[97] CIC 1544-1547
[98] CIC 1548
[99] CIC 1585-1588
[100] CIC 1602-1617
[101] CIC 1618-1620
[102] CIC 1620
[103] CIC 1642
[104] CIC 1658
[105] CIC 1667-1670
[106] CIC 1674-1676
[107] CIC 1690
[108] CIC 27-30; 1718-1719.
[109] CIC 1972
[110] CIC 2062
[111] CIC 2053
[112] CIC 2055
[113] CIC 1995
[114] CIC 1693-1695
[115] CIC 1697-1698
[116] CIC 1701-1709
[117] CIC 1716-1724
[118] CIC 1730-1742
[119] CIC 1749-1756
[120] CIC 1762-1770
[121] CIC 1776-1794
[122] CIC 1803-1811
[123] CIC 1812-1832
[124] CIC 1846-1848
[125] CIC 1849
[126] CIC 1850
[127] CIC 1845-1856
[128] CIC 1865-1869
[129] CIC 1877-1942
[130] CIC 1949
[131] CIC 1965-1974
[132] CIC 1985
[133] CIC 1996-2005
[134] CIC 2006-2011
[135] CIC 2012-2016
[136] CIC 2031;2041
[137] CIC 2057
[138] CIC 1052-1055
[139] CIC 2064-2068
[140] CIC 2074
[141] CIC 1067, 2083, 2197
[142] CIC 1735
[143] CIC 1860
[144] CIC 2343
[145] CIC 2344
[146] CIC 2345
[147] CIC 2095-2109
[148] CIC 2104-2109
[149] CIC 2244-2246
[150] CIC 2214-2220
[151] CIC 2238-2243
[152] CIC 2238
[153] CIC 2241
[154] CIC 2221-2231
[155] CIC 2235-2237
[156] CIC 2263-2267
[157] CIC 2268-2269
[158] CIC 2284-2301
[159] CIC 1909
[160] CIC 2302-2317
[161] CIC 2337-2347
[162] CIC 2351-2359
[163] CIC 2360-2379
[164] CIC 2380-2391
[165] CIC 2407
[166] CIC 2408
[167] CIC 2415-2418
[168] CIC 2443-2449
[169] CIC 2468
[170] CIC 2471-2474
[171] CIC 2493-2499
[172] CIC 2500-2502
[173] CIC 2518; 2546
[174] CIC 2550
[175] CIC 2558
[176] CIC 2761
[177] CIC 2673
[178] CIC 2674
[179] CIC 2559-2565
[180] CIC 2560
[181] CIC 2566
[182] CIC 2569
[183] CIC 2570-2584
[184] CIC 2585-2589
[185] CIC 2598-2606
[186] CIC 2607-2615
[187] CIC 2616
[188] CIC 2623-2625
[189] CIC 2626-2628
[190] CIC 2629-2636
[191] CIC 2637-2643
[192] CIC 2643
[193] CIC 2650-2651
[194] CIC 2658
[195] CIC 2659-2660
[196] CIC 2683-2691
[197] CIC 2664-2672
[198] CIC 2617-2619; 2673-2675
[199] CIC 2676-2679
[200] CIC 2799-2719
[201] CIC 2709
[202] CIC 2725-2745
[203] CIC 2857
[204] CIC 2865

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Documento de Aparecida - Síntese da Segunda Parte



Título: Vida de Jesus “A Cristo nos discípulos missionários”
A fé em Jesus Cristo como fonte de vida para aqueles que percorrem o caminho dos discípulos missionário.
Capítulo III
A Alegria de ser “discípulos missionários” para anunciar o Evangelho
Jesus Cristo (Caminho, Verdade e Vida): é o primeiro e maior evangelizador, que nos envia para proclamar a Boa Nova em atitude de agradecimento e louvor a Deus.
A Boa Nova da Dignidade Humana: Deus nos criou à sua imagem e semelhança e nos associou à continuidade da obra da criação. O discípulo deve atuar incansavelmente na defesa da dignidade da pessoa, especialmente dos mais pobres e marginalizados.
A Boa Nova da Vida: A vida é dom e é dignificada quando é posta a serviço dos outros. A vida é um direito de todo ser humano que, com a ajuda de Jesus Cristo, torna-se apto a superar quaisquer obstáculos na busca de uma vida nova e plena. Para tanto, deve buscar sempre uma maior intimidade com Deus, fitar a ressurreição e a vida eterna, ter Deus como seu valor supremo, doar a sua própria vida e caminhar junto em comunidade, defendendo uma vida digna para todos, dispensando cuidado especial à natureza.
A Boa Nova da Família: a família é um patrimônio da humanidade. Deus criou o ser humano, homem e mulher, para que vivessem na reciprocidade e na complementariedade. No interior de uma família, a pessoa deve se sentir amada e acolhida descobrindo motivos e o caminho para pertença à família de Deus.
A Boa Nova da Atividade Humana (do Trabalho, da Ciência e tecnologia): com o trabalho, o ser humano se faz participante da tarefa criadora de Deus e se coloca a serviço de seus semelhantes. O trabalho garante a dignidade e a liberdade do homem e se constitui na chave essencial de toda a questão social. O discípulo missionário deve ter o compromisso de promover a dignidade do trabalhador e do trabalho, além de defender o justo reconhecimento dos deveres e direitos dos trabalhadores. Os discípulos são, também, promotores da cultura do trabalho e denunciam toda e qualquer injustiça.
A Boa Nova do Destino Universal dos Bens e da Ecologia: a criação também é manifestação do amor providente de Deus. O ser humano foi eleito para cuidar e transformar a natureza em fonte de vida digna para todos. Assim, o discípulo de Jesus Cristo deve contemplá-la, cuidar dela e utilizá-la, tendo presente inclusive os aspectos transcendentes da vida. A solidariedade com as gerações presentes e futuras é uma exigência do princípio do destino universal dos bens.
O Continente da esperança e do amor: Como discípulos e missionários temos muito a agradecer a Deus. Pelo dom da vitalidade da Igreja: por sua opção pelos pobres; por suas paróquias; por suas comunidades e associações; por seus movimentos eclesiais e novas comunidades e por seus múltiplos serviços sociais e educativos. Portanto, devemos louvar a Deus por ter feito do continente latino-americano um espaço de comunhão e comunicação dos povos, retratado nas palavras do Papa Bento XVI: “Só da Eucaristia brotará a civilização do amor que transformará a América Latina e o Caribe para que, além de ser o Continente da esperança, seja também o Continente do amor!”.
Capítulo IV
A Vocação dos Discípulos Missionários à Santidade
Chamados ao seguimento de Jesus Cristo: a primeira questão é que não é o discípulo que elege o Mestre, mas é o Mestre quem o chama. A segunda questão é que a resposta ao chamado do Mestre exige que o discípulo entre na dinâmica do “Bom Samaritano”, ou seja: acolher os pequeninos, curar os doentes, perdoar e libertar os pecadores e conversar com os excluídos.
Parecidos com o Mestre: no seguimento de Jesus prevalece o “Mandamento do Amor”. O discípulo pratica as bem-aventuranças e tem seu estilo de vida semelhante ao do próprio Jesus Cristo. Pratica um amor serviçal, capaz de entregar a sua própria vida. É radicalmente fiel à missão. Age com compaixão diante da dor e se aproxima dos pobres. Tem como características supremas o amor e a obediência ao Pai. Identificar-se com Jesus Cristo é partilhar seu destino, inclusive até a cruz. Serve-nos o exemplo de inúmeros missionários e mártires de ontem e de hoje
Enviados a anunciar o Evangelho do Reino da Vida: Jesus Cristo nos envia em missão para anunciar a todas as nações o Evangelho do Reino. Assim todo discípulo é missionário e não pode deixar de anunciar ao mundo que só Jesus Cristo nos salva. Jesus Cristo faz o discípulo missionário partícipe de Sua missão e, ao mesmo tempo, vincula cada discípulo a Ele como amigo e irmão. Deve-se ter presente sempre a opção preferencial pelos pobres; a promoção humana integral; e a autêntica libertação cristã.
Animados pelo Espírito Santo: Jesus Cristo ressuscitado comunicou o Espírito Santo em Pentecostes e este mesmo e único Espírito guia e fortalece a Igreja. Seja no anúncio da palavra, na celebração da fé e no serviço da caridade. Com o Espírito Santo a Igreja experimenta a vitalidade divina que se expressa em diversos dons e carismas.
Capítulo V
A Comunhão dos Discípulos Missionários na Igreja
Chamados a viver em comunhão: Não há discipulado sem comunhão. A Igreja atrai quando vive em comunhão. A diversidade dos carismas é dom do Espírito Santo, que contribui para a comunhão, quando colocados à disposição dos demais. A comunhão é missionária e a missão é para a comunhão.
Lugares Eclesiais para comunhão: Os lugares são as:
·         Dioceses (Lugar privilegiado da comunhão e primeiro âmbito da comunhão e da missão) A Igreja particular é totalmente Igreja, mas não é toda a Igreja. O amadurecimento no seguimento de Jesus e a paixão por anunciá-lo requerem que a Igreja particular se renove constantemente em sua vida e ardor missionário. É chamada a ser “comunidade missionária”.
·         Paróquias (“Comunidade de Comunidades”: células vivas da Igreja e espações de iniciação cristã, educação e celebração da fé). Todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente. Seguindo o exemplo da primeira comunidade cristã, a comunidade paroquial se reúne para partir a o pão da Palavra e da Eucaristia e perseverar na catequese, na vida sacramental e na prática da caridade.
·      CEB (escolas que formam cristãos comprometidos com a fé e resgatam a experiência das primeiras comunidades) É a célula inicial de estruturação eclesial. Tem na Palavra de Deus a fonte da sua espiritualidade. Serve de fonte e semente de serviços e ministérios).
·         Conferências Episcopais (Espaço de discernimento solidário dos bispos sobre os grandes problemas da sociedade e da Igreja) O Povo de Deus se constrói como comunhão de Igrejas particulares, e através delas como intercâmbio entre as culturas.
Discípulos Missionários com Vocações Específicas: A condição de discípulo brota de Jesus Cristo como de sua fonte, pela fé e pelo batismo, e cresce na Igreja, comunidade onde todos os seus membros adquirem igual dignidade e participam de diversos ministérios e carismas.
·    Bispos: Discípulos missionários de Jesus Sumo Sacerdote. Sucessores dos apóstolos são chamados a “fazer da Igreja uma escola de comunhão”. São os animadores da comunhão e pais e centro de unidade.
·      Presbíteros: Discípulos missionários de Jesus Bom Pastor. Vivem seu ministério com fidelidade a despeito dos desafios do momento atual, tais como: identidade teológica do ministério presbiteral (não pode cair na tentação de se considerar um mero delegado ou apenas representante da comunidade, mas sim um dom para ela, pela unção do Espírito e por sua especial união com Cristo); ministério do presbítero inserido na cultura atual (envolve a necessidade de desenvolver e potencializar adequadamente a formação inicial e permanente em suas quatro dimensões: humana, espiritual, intelectual e pastoral); aspectos vitais e afetivos, ao celibato e a uma vida espiritual intensa fundada na caridade pastoral. Também desafios estruturais: paróquias muito grandes, muito pobres ou localizadas em regiões de extrema violência. É chamado a ser homem de misericórdia e compaixão, próximo ao seu povo e servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades.
·       Diáconos Permanentes: Discípulos missionários de Jesus Servidor. São ordenados para o serviço da Palavra, da caridade e da liturgia, especialmente para os sacramentos do Batismo e do Matrimônio; também para acompanhar a formação de novas comunidades eclesiais.
·    Leigos e Leigas: Discípulos missionários de Jesus Servidor. São os “cristãos que estão incorporados a Cristo pelo Batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo”. São chamados a participar da ação pastoral da Igreja. Necessitam de espaços de participação e ministérios, bem como de responsabilidades próprias, em uma Igreja onde todos sejam co-responsáveis. Necessitam de uma sólida formação doutrinal, pastoral e espiritual. Suas associações devem ser apoiadas pelos pastores, como sinal de esperança,
·         Consagrados e Consagradas: Discípulos missionários de Jesus Testemunha do Pai. É um dom do Pai, por meio do Espírito, à sua Igreja. Em comunhão com os Pastores, os consagrados e consagradas são chamados a fazer de seus lugares de presença, de sua vida fraterna em comunhão de suas obras, lugares de anúncio explícito do Evangelho, principalmente aos mais pobres.
Os que deixaram a Igreja para unir a outros grupos religiosos: Muitos dos que passam a integrar outros grupos religiosos o fazem na expectativa de encontrar respostas para suas inquietações e aspirações. Os motivos não são doutrinais, mas vivenciais. Não são dogmáticos, mas pastorais. Não são teológicos, mas metodológicos de nossa Igreja. Para enfrentar o desafio deve-se deter especial atenção em quatro eixos: experiência religiosa; vivência comunitária; formação bíblico-doutrinal; e compromisso missionário de toda a comunidade.
Diálogo ecumênico e inter-religioso: A compreensão e a prática da eclesiologia de comunhão nos conduzem ao diálogo ecumênico. A relação com os irmãos e irmãs batizados em outras Igrejas e comunidades eclesiais é um caminho irrenunciável para o discípulo missionário, pois a falta de unidade representa um escândalo, um pecado e um atraso do cumprimento do desejo de Jesus Cristo (Jo 17,21). O ecumenismo é conseqüência de uma eclesiologia de comunhão e a unidade é antes de tudo um Dom do Espírito Santo. Isso implica conversão do coração e muita oração.
Relação com Judaísmo: Fortes laços nos relacionam com o povo judeu, sobretudo a união na fé no único Deus e sua palavra revelada no Antigo Testamento. São nossos irmãos maiores na fé de Abraão, Isaac e Jacó. O diálogo inter-religioso, em especial com as religiões monoteístas, fundamenta-se justamente na missão que Cristo nos confiou, solicitando a sábia articulação entre o anúncio e o diálogo como elementos constitutivos da evangelização.
Capítulo VI
O Caminho de Formação dos Discípulos Missionários
Uma Espiritualidade trinitária do encontro com Jesus Cristo: Uma autêntica proposta de encontro com Jesus Cristo deve-se estabelecer-se sobre o sólido fundamento da Trindade-Amor.
O encontro com Jesus: a experiência batismal é o ponto de início de toda a espiritualidade crista que sua funda na Trindade. Tal acontecimento nos permite superar o egoísmo e nos colocarmos plenamente ao serviço do outro. Para ser discípulo é necessário fazer a experiência do “encontro com Jesus”. A própria natureza do cristianismo consiste em reconhecer a presença de Jesus Cristo e segui-lo.
Os lugares privilegiados de encontro com Jesus Cristo são: Sagrada Escritura; Liturgia; Sacramento da Reconciliação; Oração pessoal e comunitária; no meio de uma comunidade; na fé e no amor fraterno; naqueles que dão testemunho de luta pela justiça, pela paz e pelo bem comum; nos acontecimentos da vida de nossos povos; nos pobres, aflitos e enfermos. No reconhecimento desta presença e proximidade, e na defesa dos direitos dos excluídos, encontra-se a fidelidade da Igreja a Jesus Cristo.
A piedade popular como lugar de encontro com Jesus Cristo: O Santo Padre destacou a “rica e profunda religiosidade popular, na qual aparece a alma dos povos latino-americanos”. A piedade popular penetra delicadamente a existência pessoal de cada fiel e, ainda que se viva em uma multidão, não é uma “espiritualidade de massas”.
Maria, discípula e missionária: A máxima realização da essência cristã como um viver trinitário de “filhos no Filho” nos é dada na Virgem Maria que, através de sua fé e obediência à vontade de Deus, assim como por sua constante meditação da Palavra e das ações de Jesus, é a discípula mais perfeita do Senhor.
Os apóstolos e os santos: Marcaram a espiritualidade e o estilo de vida de nossas Igrejas. Suas vidas são lugares privilegiados de encontro com Jesus Cristo. Seu testemunho se mantém vigente e seus ensinamentos inspiram o ser e ação das comunidades.
O processo de formação dos discípulos missionários: Deve estar pautado em cinco aspectos:
· O encontro com Jesus Cristo (O querigma como iniciação cristã)
· A conversão (mudança na forma de pensar e agir)
· O discipulado (amadurecimento do seguimento)
· A comunhão (inserção na comunidade)
·A missão (necessidade de partilhar com os outros a alegria de ser enviado)
Critérios Gerais
Uma formação integral, querigmática e permanente: A missão principal da formação é ajudar os membros da Igreja a se encontrar sempre com Jesus Cristo, e assim reconhecer, acolher, interiorizar e desenvolver a experiência e os valores que constituem a própria identidade e missão cristã no mundo.Trata-se de um longo processo que acontece em quatro dimensões, que devem obedecer aos princípios da integralidade e da harmonia, a saber:
A.   Dimensão humana e comunitária
B.   Dimensão Espiritual
C.   Dimensão Intelectual
D.   Dimensão Pastoral e Missionária
Uma formação respeitosa dos processos: é um caminho longo que requer itinerários diversificados zelando pelos ritmos comunitários, contínuos e graduais.
Uma formação que contempla o acompanhamento dos discípulos: cada setor do povo de Deus pede que a pessoa seja acompanhada e formada de acordo com a peculiar vocação e ministério para os quais tenha sido chamada.
Uma formação na espiritualidade da ação missionária: Baseada na docilidade ao impulso do Espírito, à sua potência de vida que mobiliza e transfigura todas as dimensões da existência.
Iniciação à vida cristã e catequese permanente
Iniciação à vida cristã: Inclui o querigma, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado. Dá-nos, também, a oportunidade de fortalecer a unidade dos três sacramentos da iniciação e aprofundar o rico sentido deles.
Propostas para iniciação cristã: Deve começar pelo querigma e que, guiado pela Palavra de Deus, conduza a um encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, experimentado como plenitude da humanidade e que leve à conversão, ao seguimento em uma comunidade eclesial e a um amadurecimento de fé na prática dos sacramentos, do serviço e da missão.
Catequese Permanente: A catequese não deve ser ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas sim “itinerário catequético permanente”. A catequese não pode se limitar a uma formação meramente doutrinal, mas precisa ser uma verdadeira escola de formação integral.
Lugares de formação para os discípulos missionários:
·         Família (primeira escola da fé): “Escola de comunhão”
·         Paróquias: Para que sejam centros de irradiação missionária, devem ser lugar de formação permanente.
·     Pequenas comunidades eclesiais: Ambientes propícios para viver a fraternidade, para a oração, para aprofundar processos de formação na fé e para fortalecer o compromisso de ser apóstolo na sociedade atual.
·    Movimentos Eclesiais: Oportunidades para que muitas pessoas distantes possam ter uma experiência de encontro vital com Jesus e recuperem sua identidade batismal e sua ativa participação na vida da Igreja.
·   Seminários e Casas de Formação: A pastoral vocacional começa na família e continua na comunidade. É urgente dedicar cuidado especial à Pastoral Vocacional.
·         Educação Católica: constitui responsabilidade estrita à escola, enquanto instituição educativa, destacar a dimensão ética e religiosa da cultura, precisamente com o objetivo de ativar o dinamismo espiritual do sujeito e ajudá-lo a alcançar a liberdade ética que pressupõe e aperfeiçoa a psicológica.
·     Centros Educativos Católicos: A Igreja é chamada a promover em suas escolas uma educação centrada na pessoa humana que é capaz de viver na comunidade oferecendo a esta o bem que a Igreja possui.
·   As universidades e centros superiores de educação católica: Prestam importante ajuda à Igreja em sua missão evangelizadora. Trata-se de vital testemunho institucional sobre Jesus Cristo e sua mensagem, tão necessário e importante para as culturas impregnadas pelo secularismo.
REFERÊNCIAS:

CONSELHO EPISCOPAL LATINO AMERICANO, CELAM. Documento de Aparecida: Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe .4 ed. Brasília: Edições CNBB, 2007.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Documento de Aparecida - Parte I



Documento de Aparecida – Síntese da Primeira Parte
“A vida de nossos povos hoje”: O documento faz uso do método “ver, julgar e agir” para ver a realidade e os dons recebidos pela graça e fé que nos fazem discípulos missionários de Jesus em vista de uma missão.
Capítulo I – Os Discípulos Missionários: As luzes e as sombras dos tempos de hoje nos causam aflição, mas não são suficientes para nos confundir. Como discípulos missionários de Jesus Cristo somos destinatários de incalculáveis dons, que nos ajudam a olhar a realidade de nossos povos e de nossa Igreja, com seus valores, suas limitações, suas angústias e esperanças.
Ação de Graças a Deus: o Deus da Aliança, rico em misericórdia, nos amou primeiro. Por isso o bendizemos. Agradecemos a Deus por nos fazer seus colaboradores para que sejamos solidários com sua criação pela qual somos responsáveis e movidos pelo dom da Palavra; pela celebração da fé, que culmina na Eucaristia; pelo Sacramento do Perdão e pelo presente de Maria, Mãe de Deus e da Igreja.

A alegria de sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo: A fé, a solidariedade e a alegria são os antídotos que fortificam o discípulo para enfrentar um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. Deve-se ter presente que ser cristão não é uma carga, mas um dom e que a alegria da Boa Nova do Reino de Deus deve chegar a todos.

A missão da Igreja é evangelizar: Devemos proclamar aos pobres e pecadores o Evangelho, que é o próprio Jesus Cristo. A Igreja deve cumprir sua missão seguindo os passos de Jesus Cristo e adotando suas atitudes (cf. Mt 9,35-36). Importa ver a realidade que nos circunda à luz da providência Divina. O discípulo deve julgar segundo Jesus Cristo e atuar a partir dar da Igreja, utilizando o método “ver – julgar – agir”. Por fim, é imprescindível adotar atitudes de Jesus Cristo (servidor e obediente até à morte de cruz, sendo rico se fez pobre e colocou sua confiança no Pai). É “na generosidade dos missionários que se manifesta a generosidade de Deus.”

Somos chamados a transfigurar estes rostos: Pela promoção da dignidade pessoal e, pela fraternidade entre todos. “No rosto sofrido de Jesus, com o olhar da fé, podemos ver o rosto humilhado de tantos homens e mulheres de nossos povos.”
Capítulo II: Olhar dos discípulos missionários sobre a realidade
A realidade que nos desafia como discípulos e missionários: Os discípulos são constantemente desafiados a discernir os “sinais dos tempos”, à luz do Espírito Santo, para nos colocar a serviço do Reino. Deve-se ter consciência das especificidades das mudanças globais que afetam a realidade no mundo inteiro, a saber:
  1. O alcance universal da globalização; a influência da ciência e da tecnologia mediante a capacidade de manipular geneticamente a vida e agir através de uma comunicação de alcance universal. Toda a fragmentação produz uma crise de sentido. A religião e a cultura são dois âmbitos que dão unidade ao todo, mas também vêem suas tradições desmoronar-se.
  2. Os meios de comunicação invadiram todos os espaços gerando consequências para a família. A sociedade crê que pode funcionar como “se Deus não existisse”, mas é incapaz de dar resposta aos anseios da vocação humana. Observa-se a supervalorização da subjetividade individual e este individualismo enfraquece os vínculos comunitários.
  3. Evidencia-se uma espécie de colonização cultural, cujo resultado é uma cultura homogeneizada que conduz à indiferença com o outro. Prefere-se viver o presente e valorizar o imediatismo. As mulheres são submetidas a múltiplas formas de violência, dentro e fora de casa.
  4. Emergem novos sujeitos, com novos estilos de vida, maneiras de pensar, de sentir, de perceber, e novas formas de relacionar-se. Dilui-se a riqueza e a diversidade culturais de nossos povos. O poder e a riqueza se concentram nas mãos de poucos. As economias locais subordinam-se às instituições financeiras e às empresas transnacionais. Crescente nível de corrupção, tanto do setor público como do privado. Falta de credibilidade das Instituições públicas.
  5. Consequências nocivas ao trabalho humano (subemprego, desemprego, trabalho informal), que ensejam o fenômeno da mobilidade humana devido à precária situação econômica, ao crescimento da violência e à falta de oportunidades.

Em suma: é preciso promover uma globalização marcada pela solidariedade, pela justiça e pelo respeito aos direitos humanos.

Situação de nossa Igreja nesta hora histórica de desafios: A Igreja, como servidora dos pobres, desenvolve esforço para promover a dignidade dos pobres nos campos da saúde; economia solidária; educação; trabalho; acesso à terra; assistência; habitação; cultura. Empenha-se em promover a justiça; direitos humanos; reconciliação dos povos.
A Igreja é Instância de Confiança e Credibilidade: A adesão à Igreja pode redundar em perseguição e em morte de muitos (Testemunhas da fé). A Igreja se empenha em favor dos pobres

Os Frutos dos esforços pastorais da Igreja:
                
  1. Animação bíblica da pastoral; renovação da catequese; formação dos catequistas.
  2. Renovação litúrgica: destacando a dimensão celebrativa e festiva; inculturação da liturgia.
  3. Santidade de muitos presbíteros; testemunho de vida e trabalho missionário; criatividade pastoral; diaconato permanente; ministérios confiados aos leigos; testemunho da vida consagrada.
  4. Abnegada entrega de missionários na missão “Ad Gentes”.
  5. Renovação pastoral nas paróquias; florescimento das CEB; valorização dos movimentos eclesiais e novas comunidades; Pastoral Familiar / do Menor e / da Juventude.
  6. Maior interesse pela formação teológica de leigos; novo impulso na Pastoral Social e na Pastoral da Comunicação.
  7. Avanço na Pastoral Orgânica; Desenvolvimento do diálogo ecumênico e inter-religioso; Busca de espiritualidade, de oração e de mística; Profundo  sentimento de solidariedade.           

“SOMBRAS”:

 I.  Crescimento do número de católicos menor que o crescimento da população.
    II.  Números de Padres se distancia do crescimento da população.
  III. Tentativas de voltar a uma eclesiologia e espiritualidade contrárias à renovação do Vaticano II;
  IV.   Ausência de uma autêntica obediência, infidelidade à doutrina, à moral e à comunhão.
 V.  Escasso acompanhamento aos leigos em suas tarefas de serviço à sociedade.
VI.   Evangelização com pouco ardor; ritualismo; falta de formação dos agentes de pastoral; espiritualidade individualista.
 VII.  Linguagem pouco significativa; falta de presença no campo da cultura, do mundo universitário e da comunicação social.
VIII.  Dificuldades na sustentação econômica das estruturas pastorais.
  IX.  Perda do sentido da vida e abandono da religião; católicos que deixam a Igreja para aderir a outros grupos religiosos.
   X.  Grande quantidade de grupos pseudos cristãos.
XI.   Falta de coerência evangélica – estilo de vida incompatível com a verdade e a caridade;
XII.  Falta coração, persistência e docilidade para continuar a renovação do Vaticano II.


REFERÊNCIAS:


CONSELHO EPISCOPAL LATINO AMERICANO, CELAM. Documento de Aparecida: Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe .4 ed. Brasília: Edições CNBB, 2007.